
A população negra:
Após anos de lutas da população, o Quilombo Vidal Martins é a primeira comunidade quilombola regularizada em Florianópolis pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), de acordo com a Portaria nº1.511, publicada em 21 de julho de 2022 no Diário Oficial da União. A portaria finaliza o processo de reconhecimento das terras declaradas, que equivalem a 961,28 hectares e se localizam nos bairros Rio Vermelho e Barra da Lagoa.
Veja no mapa a localização das comunidades quilombolas em Santa Catarina:
Comunidades quilombolas de Santa Catarina (2019)

As condições de vida da população negra
Quando olhamos as condições de moradia, de renda, de trabalho e de acesso aos serviços públicos vemos como a situação da população negra é sempre bem pior que a situação da população branca. Segundo o “Estudo dos Indicadores Socioeconômicos da População Negra da Grande Florianópolis” (CERES, 2012), as favelas e assentamentos irregulares têm 40% de moradores negros. Pode parecer pouco, mas quando comparamos ao dado de que somente 14% da população é negra na região, vemos como este número é desproporcional. Quando se fala em acesso a serviços públicos a situação não é menos preocupante. Na população negra, a taxa de analfabetismo é quase o dobro da taxa dos brancos. Apenas metade dos estudantes negros que entram no primeiro ano do ensino fundamental em Florianópolis consegue se formar na oitava série. No ensino médio esse número diminui novamente pela metade. Ou seja, de cada 4 estudantes negros que ingressam no ensino fundamental, 2 se formam na nona série e somente um no terceiro ano.
O negro tem mais chances de ser assassinado do que o branco e mais chances de sofrer com a violência policial. A taxa de homicídios em Florianópolis para os negros é mais de 3 vezes superior a dos brancos. Os jovens negros são as maiores vítimas. Entre 2006 e 2010 houve um aumento de 35,8% de homicídios na população jovem negra de Santa Catarina.
Analise as tabelas abaixo: Quais as dificuldades e diferenças enfrentadas pela população negra em nosso município?





Histórico
De acordo com a tese de doutorado "Do Mar ao Morro: a geografia histórica da pobreza urbana em Florianópolis" (Santos, 2009), em 1810 um em cada três habitantes da Ilha de Santa Catarina era de origem africana.
Durante a escravidão, muitos negros fugiam e formavam quilombos. Em 2019, em Santa Catarina existiam 21 comunidades quilombolas em Santa Catarina, sendo 19 certificadas e apenas 6 territórios oficialmente delimitados.
Existem também muitos outros quilombos rurais e urbanos que não são reconhecidos oficialmente. No Censo 2022, em Santa Catarina, 4.449 pessoas se declararam quilombolas. A pesquisa mostrou que 86,96% dos quilombolas que moram no estado não estão em territórios oficialmente delimitados.
Assista ao vídeo

Cidadão Invisível
Belo filme sobre o cidadão negro em Florianópolis (Trabalho de conclusão de curso de Jornalismo de Alexandra Alencar).